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quarta-feira, 21 de julho de 2010

Como Falar de Amor?



Como falar de amor
Diante de tanto desamor
Que as notícias diárias
Jogam em nossos rostos
Mostrando crianças 
Doridas e moídas
Nas engrenagens de 
Pedras e perdas
De suas frágeis vidas?

Como falar de amor
Diante de tanto desamor
Retratado nas vestes 
De nossas crianças
Cobertas de mágoas
De dores calçadas
Que fazem das ruas 
Suas passarelas
E em seus desfiles, 
Pedem-nos pães
Para nutrirem os seus 
Corpos miúdos e seus 
Amedrontados corações?

Como falar de amor
Diante de tanto desamor
Refletido nos olhos 
De nossas crianças
Que vivem em barracos 
De violentos bairros
Sem água encanada, 
Luz ou condução
Onde não há escolas, 
Nem quadras esportivas
Ou qualquer esperança 
De uma solução?

São bairros muito pobres, 
Denominados vilas
Locados na região 
Da desesperança,
Uma zona esquecida 
Pelos poderosos que
Sensíveis apenas 
Às suas ambições, 
Sem pudor violam os 
Direitos dessa gente
A uma vida saudável, 
Justa e decente. 

Como falar de amor 
Diante de tanta 
Indiferença e 
De tanto horror?

Encerro com o link para o vídeo com a música "Por Quem Os Sinos Dobram", de Raul Seixas.
 Rosa Maria Pacini
Criada em Março de 1999

sábado, 19 de junho de 2010

Mania de Ser Feliz

Que mania é esta
De teimar em viver
Se não há mais festa
Nem o que comer?

Que mania é esta
De ter esperança
Se nem há espaço
Pra outra criança?

Que mania é esta
De fazer poesia
Que fala de amor 
E de fantasia ?

Que maia é esta 
De viver teimando
Num mundo com pressa 
De ir se acabando?

Que sonho é este
Que não se acabou?
Que sonhador veste
O traje de herói?

Qual sua esfera
Ou sua galáxia ?
Por certo é aquela
Que desde o começo
É o avesso do avesso
Do planeta Terra!

Redigida por Rosa Maria Pacini
Em 1990  

Encerro com o link para um vídeo criado para a música "Somewhere Over The Rainbow" na voz do grande cantor havaiano Israel Kamakawiwo'ole "IZ"

Lembranças de uma Poetisa Mirim

Quando eu tinha 9 anos
Eu cometia poesias 
Rima rica, rima pobre
Rima certa, rima torta
Nada disso me importava 
E ainda não me importa. 


Falava do que queria 
Do que gostava ou sabia 
Poetava sobre o amor 
Que eu supunha sentir.
De versos vestia meus sonhos
Meus anseios e fantasias.


"Esta menina vai longe"
dizia o meu tio Wandick
"Tem talento, tem estilo, 
Incentivar é preciso"!
Minha mãe, então, sorria
De orgulho?  De ironia ?


Nos colégios onde estudava
As freiras não me aguentavam
Viviam querendo saber 
O que meus versos contavam
Para tudo eu fazia versos
Sobre tudo eu poetava.


Em versos eu falava de amor
De sexo ... (eu maliciava!)
Falava de minhas ilusões
De muita coisa ou de nada
Usei meus versos a
Pra torcidas organizadas.


Outra coisa eu fazia
Com músicas de sucesso: 
Dava-lhes um novo sentido 
E novas letras, com meus versos.
Isto me dava prazer
Me enchia de alegria
Pois nesse meu versejar
Tive cada parceria!


A gente cresce, embrutece
Com as marcas que a vida traz
Perde a alegria e o encanto
Nem a poesia flui mais.
A gente fica sem jeito
De mostrar o sentimento
Tem vergonha e desconforto
Nada sai fácil ou direito.


Então a poesia se encolhe
Fica triste, empalidece
Fica amarga até que um dia
De poetar a gente esquece
E no fundo das gavetas
De armários ou do inconsciente
Ficam nossas fantasias
Fica a poesia da gente.


Por Rosa Maria Pacini
Escrita em 1990 


Encerro deixando o link para um vídeo com a música "Velha Infância" nas vozes dos Tribalistas.


http://www.youtube.com/watch?v=Il6OwhsebMc