quarta-feira, 24 de março de 2010

In Memorian de Victório Pacini, Meu Pai

                                                                                          
Se estivesse vivo, meu pai completaria hoje, 24/03, 108 anos, mas não chegou  nem aos 50. Italiano, nascido  na região da Toscana,  em um povoado rural chamado Casabasciana, ele veio, de navio, para o Brasil com 16 anos visando a fugir da guerra. E apaixonou-se por este país, que o acolheu e lhe deu oportunidades que lhe permitiriam alcançar quase tudo o que almejara. 

Casou-se relativamente tarde, aos 35, mas conseguiu construir um patrimônio sólido em um período inferior a 15 anos, contando sempre com a ajuda da minha mãe. Morreu aos 47 anos,  deixando viúva e 4 filhos: o mais velho, Gilberto, tinha 12 anos, a seguir vinham o Fernando, com 6 anos e as caçulas gêmeas (eu e a minha irmã, Maria Elisa) com 4 anos. Foi a morte prematura que o impediu de realizar o sonho de ver os filhos formados e/ou casados, portanto também o de conhecer seus netos e bisnetos.
                                                                  
 Ariano típico, ele sempre trabalhou por conta própria, como se dizia na época – a palavra “autônomo” era desconhecida até então.  Foi um empreendedor. Um verdadeiro vencedor, seja no setor industrial ou no da construção civil. Elegante, bonito, ele era um homem de bom gosto; sabia valorizar o belo e fazia questão de nos proporcionar o melhor padrão de qualidade de vida possível. Mas era também um homem sério, até mesmo rígido na maioria das vezes, conforme os padrões da época estabeleciam (década de 40), porém eu me lembro de momentos em que o seu bom humor se manifestava.
Dois anos antes de morrer ele voltou para a Itália com toda a família. A guerra havia acabado e ele queria não só rever sua mãe e irmãos, mas também apresentar-lhes a família que ele havia constituído no Brasil e da qual muito se orgulhava. Ficamos lá cerca de 3 meses e ainda hoje, com quase 65 anos, guardo lembranças daquele período!

Devo confessar que por um bom tempo eu guardei rancor do meu pai, pois minha memória infantil havia sido mais impactada pelos aspectos rígidos de sua personalidade. Mas com o passar do tempo, consegui me desapegar dessa visão distorcida para começar a enxergar meu pai como um ser humano rico de recursos, mas também com suas fragilidades; alguém que fez o melhor que pode em sua passagem por esta vida.

Hoje fiz a seguinte reflexão: Ainda bem que ele conseguiu voltar à Itália e reencontrar as suas origens. Esse revisitar o passado é importante para qualquer ser humano, pois permite que experiências sejam ressignificadas e que pontas soltas sejam amarradas; possibilita uma visão mais abrangente e madura sobre os processos vivenciados e o despertar de uma nova consciência sobre si mesmo e sobre o mundo em que vive. Essa viagem foi literal, mas poderia ter sido simbólica e mesmo assim provocaria algum tipo de resgate. 

Neste dia 24/03, a lembrança de seu aniversário também me fez resgatar, de algum modo, parte do meu passado. Ao fazê-lo pude compreender o que era aquela  energia tão especial que experimentei ao despertar, quando ainda nem havia "me dado conta" desta efeméride. Era o meu pai interior (animus) se manifestando com plena vitalidade, renascendo mais uma vez em mim, como que para me fazer lembrar que as qualidades do pai-herói ariano fazem parte do meu ser. 

O desbravador de novos horizontes, disposto a cruzar oceanos para viver novas experiências e lançar suas sementes em terras estrangeiras, habita em meu interior e hoje pede passagem para se manifestar mais vivamente em minha vida. Tal percepção me enche de disposição e me faz sorrir de gratidão. Gratidão por este resgate e por todas as descobertas que tenho feito nesta minha vida cada vez que permito a este “aventureiro” me conduzir pelos mares de novas experiências! 

O vídeo abaixo é em homenagem ao amor de meu pai pelo Brasil.






































2 comentários:

  1. AI QUE LINDO LER TUDO ISSO, EU CONCORDO, VEJO NELE UM VITORIOSO, ASSIM QUE PLANEJEI O NOME DO VICTOR, CREIO QUE ELE TINHA DEUS MUITO LATENTE EM SUAS ATITUDES, O NOSSO DEUS QUE NOS CONDUZ AO SUCESSO TOTAL E A SEGURANÇA DE QUE AMANHÃ É UM DIA MUITO MELHOR, UM DIA DE TRIUNFO E SUCESSO, O QUE O LEVOU A SAIR DE SUA TERRA NATAL E VIR AO BRASIL.

    TINHAMOS TUDO PARA SERMOS ITALIANOS, MAS DEUS DESEJOU QUE NOSSA HISTÓRIA COMEÇASSE AQUI, CREIO MUITO QUE DEUS É QUEM NOS GUIA 24 HORAS POR DIA, E A CADA PASSO QUE DAMOS ELE ESTÁ NOS FORTALECENDO E NO ENRIQUECENDO DE FORMA PLENA E INTELIGENTE COMO SÓ ELE SABE FAZER E AGIR, O GRANDE HOMEM E A PASCOA QUE SE INICIA MAS LEMBRAR QUE DEUS CRIOU SEU FILHO UNIGENITO COMO O GRANDE EXEMPLO A SER SEGUIDO POR ISSO SEGUINDO OS PASSOS DE JESUS O NOSSO PEREGRINO VICTORIO PACINI AQUI REINOU, NA NOSSA CASA, NA NOSSA FAMILIA POIS A PREDEU COM O GRANDE REI JESUS QUE PARA CONQUISTAR BASTA NELE ACREDITAR.!

    TE AMO TIA, AMEI SEU BLOG, SÓ QUE É MUITO TRISTE A HISTÓRIA DA ISABELLA E AS ISABELLAS DO MARANHÃO.

    ENFIM QUE DEUS NOS ILUMINE, NOS PROTEJA E NOS GUARDE POIS SÓ ELE NOS LEVA A VITORIA, BUSCANDO SEMPRE A ELE 24 HS POR DIA, POIS ELE ESTÁ DENTRO DE NÓS.

    TE AMO JESUS.!

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